Jornal Evangélico Luterano

Ano 2016 | número 801

Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021

Porto Alegre / RS - 11:13

Comportamento

A IECLB na Missão Global

   A Missão Global quer levar a sério e realizar o envio de Jesus Cristo: Vão a todos os povos do mundo e façam que sejam meus seguidores, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo e ensinandoos a obedecer tudo o que tenho ordenado a vocês! Lembrem disto: Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos! (Evangelho de Mateus 28.19- 20).

   O desafio da Missão Global é importante e é encarado conjuntamente pela comunhão de Igrejas Luteranas. Juntas, Igrejas do hemisfério Norte e do hemisfério Sul, somos participantes na Missão de Deus no mundo e chamados a testemunhar, em palavra e ação, o Evangelho de Jesus Cristo no mundo. Assim, quando construímos e fortalecemos relações de mutualidade, estamos conscientes de que uma Igreja sozinha não é capaz de fazer o que Deus convoca a fazermos juntos.

   Nos seus 70 anos de caminhada conjunta, a comunhão luterana tem exemplos de boas práticas de solidariedade e ajuda entre as suas Igrejasmembro para realizar a tarefa missionária e diaconal. Há muitas lições aprendidas e uma delas é a necessidade de neutralizar relações que expressem qualquer tipo de superioridade de Igrejas que tenham poder econômico e financeiro sobre aquelas que necessitam de apoio e solidariedade.

   Não é o tamanho nem o poder econômico que define quem precisa de ajuda. O ex-Presidente da Federação Luterana Mundial (FLM), Bispo Joshua Kibira, da Tanzânia, já nos anos 1970, costumava dizer: ‘Nenhuma Igreja é tão rica que não necessite de nenhuma ajuda, e nenhuma Igreja é tão pobre que não tenha nada para compartilhar’.

    A história da missão do Norte para o Sul tem momentos vergonhosos e questionáveis. Muitas vezes, as sociedades missionárias nada mais eram do que testas de ferro dos colonizadores e impunham as culturas dos seus países de origem sobre os povos, legitimavam a exploração das riquezas naturais e minerais e a submissão ao conquistador. Felizmente, a época do colonialismo terminou e, hoje, os países são politicamente independentes, apesar de as consequências do domínio estrangeiro ainda serem sentidas em forma de pobreza extrema e falta de capacidade de resposta às demandas básicas de alimentação, saúde, educação e moradia. As Igrejas do Norte mudaram a sua atitude em relação ao Sul e buscam construir, juntas, relações de mutualidade, apoio e fortalecimento de capacidades.

   Diferentemente do Sul, que, por séculos, era tido como área de missão e onde hoje as Igrejas mais crescem numericamente, no Norte as Igrejas diminuem o seu número de membros a olhos vistos. Toma-se gradativamente consciência da importância da missão e da necessidade de evangelização para elas mesmas em seus respectivos contextos. Para isso, estão pedindo a ajuda das Igrejas do Sul.

   As relações globais da IECLB têm a ver com a sua própria história, pois a origem dos seus membros está na imigração alemã desde o século XIX e, por isso, mantém relações fortes de cooperação com a Igreja Evangélica na Alemanha e várias das suas Igrejas membro e instituições diaconais. Essas relações foram crescendo na medida em que, gradativamente, se substituiu o esquema de doador e receptor pela prática de parceria e mutualidade nos dois sentidos.

   Há bons exemplos de acordos de cooperação bilateral da IECLB com outras Igrejas e sociedades missionárias do Norte (Estados Unidos, Noruega e Suécia) e do Oriente (Japão). Em nível de região latino-americana e caribenha, nos relacionamos com as Igrejas da região, especialmente da Argentina (IERP e IELU), Chile (IELCH) e com a CILCA – Comunhão de Igrejas Luteranas Centro-americanas, sempre visando à mutualidade e ao fortalecimento de capacidades locais por meio do intercâmbio de Ministros e Ministras e acesso à formação teológica. Neste modelo, também participam as Igrejas de Angola e Moçambique, países africanos de Língua Portuguesa. Como membros do mesmo corpo, nos inteiramos das necessidades e desafios e desejamos nos apoiar e fortalecer mutuamente para melhor participar da Missão de Deus.

   Se olharmos mais de perto, é um caminho de uma só via: de nós para eles. É uma relação ainda distante um do outro. Para vivenciar e incorporar comunhão, somos desafiados a identificar possibilidades de exercitar mutualidade, perguntando-nos: O que as Igrejas africanas têm para compartilhar e que pode ser interessante e necessário para as Comunidades da IECLB?

Por graça de Deus, perdão e reconciliação: um novo sentido à vida

   A IECLB é parte da comunhão de Igrejas Luteranas em todo o mundo reunidas desde 1947 na Federação Luterana Mundial (FLM). A FLM é uma comunhão global de 145 Igrejas de tradição luterana, representando mais de 74 milhões de cristãos e cristãs em 98 países e que, em maio de 2017, celebrará a sua XX Assembleia Geral, em Windhoek, na Namíbia, sob o tema Libertados pela Graça de Deus.

Experimentamos unidade na diversidade

   Esta comunhão luterana de Igrejas encontra a sua expressão visível na comunhão de púlpito e altar, no testemunho e serviço comuns, no cumprimento conjunto da tarefa missionária e na abertura à cooperação, ao diálogo e à comunhão ecumênicos.

A IECLB na Missão Global

   Como expressão da incondicionalidade do amor de Deus manifesto em Jesus Cristo, a mesa da comunhão é redonda e não tem cabeceira, em cima ou embaixo, pequeno ou grande, rico ou pobre que definam poder e importância. Todas e todos são convidados a experimentar perdão e reconciliação por graça de Deus e dar um novo sentido às suas vidas, amando a Deus e ao seu próximo.  

   Deus chama à comunhão e a sustenta. Significa que somos chamados a construir e nutrir relações e tornando-nos o que somos, comunhão de pessoas batizadas em nível local e nacional, ou seja, Igreja, e, além disso, sendo parte da Igreja, corpo de Jesus Cristo, em todo o mundo.

   Como membros de um mesmo corpo, experimentamos unidade na diversidade. Quando um membro sofre, a dor é sentida em todo o corpo. Se uma parte do corpo é elogiada, todas as outras se alegram com ela (1Coríntios 12.12-27).

P. Silvio Schneider

   P. Silvio Schneider, atuou na Comunidade Evangélica Luterana de Curitiba/PR (1972-1980), foi Secretário de Comunicação da IECLB (1980-1992), trabalhou na Sede da Federação Luterana Mundial - FLM, em Genebra, na Suíça (1992-2000 e 2015), foi Secretário Executivo da Fundação Luterana de Diaconia - FLD (2000-2008) e Diretor de Programas do Serviço Mundial da FLM na Colômbia e em Moçambique (2008-2014). Atua como Assessor para assuntos de Missão Global na Sede Nacional da IECLB e de Planejamento para as Unidades Sociais da Comunidade Evangélica de Porto Alegre/RS

 

 

Ultima edição

Edição impressa para folhear no computador


Baixar em PDF

Baixar em PDF


VEJA TODAS AS EDIÇÕES


Gestão Administrativa

Ser Igreja de Jesus Cristo em contexto de pandemia

Em perspectiva de balanço do ano que passou, compartilhamos, de forma adaptada e atualizada, partes da Carta Pastoral da Presidência, de Pastoras e Pastores Sinodais, publicada em agosto de 2020. A partir de março de 2020, passamos a conviver com a pandemia do Covid-19, (+)



Educação Cristã Contínua

Igreja que valoriza o Sacerdócio Geral (parte 3/3)

Desafios Com base nas atividades que estão sendo realizadas e considerando o cenário atual, a Coordenação de Educação Cristã (CEC) vislumbra os seguintes desafios para a efetivação da Meta Missionária 1 (Áreas de prioridade (+)

AÇÃO CONJUNTA
+
tema
vai_vem
pami
fe pecc
Quando Deus parece estar mais distante, mais perto de nós Ele se encontra.
Martim Lutero
© Copyright 2021 - Todos os Direitos Reservados - IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - Portal Luteranos - www.luteranos.com.br