Jornal Evangélico Luterano

Ano 2020 | número 842

Domingo, 25 de Julho de 2021

Porto Alegre / RS - 00:15

Estudos Bíblicos

Comunidades nas cidades

Para entendermos esse texto bíblico, precisamos entender o seu contexto histórico. Por volta do ano de 597 a.C., Jerusalém foi invadida por Nabucodonosor, rei da Babilônia. Parte da população foi levada à força para o exílio. Em Judá ficou ‘o povo pobre da terra’ (2Re 24.14). Em 587 a.C., houve uma segunda deportação. O profeta Jeremias atuou neste período de turbulência e assistiu bem de perto à ruína completa de Judá e às invasões babilônicas. Antes da deportação, o profeta já advertia o povo corrompido e distanciado de Deus sobre os perigos da nação inimiga.

Não foram poucas as vezes em que ele conclamou o povo a voltar-se novamente para os braços de Deus. No entanto, após a deportação, Deus não abandona o seu povo na terra estrangeira, mas o consola por meio das palavras de Jeremias. Pede que orem pelo bem da cidade e pela sua paz. Diante do desconhecido, o povo é convidado a plantar e a colher, a casar e a reconstruir a vida. O desterro mesmo torna-se oportunidade para recomeçar, por isso o estímulo para tocar a vida. Israel não vai construir uma nova cidade na Babilônia, mas é chamado a trabalhar pela paz da(s) cidade(s) para onde foi levado. Portanto, a cidade é lugar para viver! A cidade é lugar de experimentar a paz, de orar e agir (ora et labora). O cativeiro é tido como o chão em que se desenrola a libertação e isso vai se estender por 70 anos, vale dizer, uma geração.

Ao nos voltarmos para o Novo Testamento, também vamos encontrar um Jesus peregrino, que andava pelas cidades e vivia no meio do povo. O seu mundo não estava restrito ao espaço das sinagogas. Jesus tinha cheiro de gente e de vida. Bem por isso, também hoje a Igreja é chamada a seguir os passos do Mestre e a romper com os muros que a separam da cidade. É chamada a ser Igreja-com-a-cidade. Este chamado a coloca em movimento, conclamando-a a cumprir com o seu papel profético no mundo.

Diante da realidade urbana, o papel da Igreja não é recolher-se no templo, mas voltar-se para a cidade, dialogar com a cidade, procurar entender a dinâmica da cidade. Na verdade, cabe à Igreja criar condições para que as pessoas das cidades, membros e não membros, tenham a Comunidade como espaço e oportunidade para expressar o que são e o que sentem, para, por meio do diálogo, da convivência e com a luz que vem do Evangelho, dar rumo ao seu cotidiano.

Como parte integrante do tecido urbano, a Comunidade Cristã não tem como crescer quando se isola, vivendo para si exclusivamente. Ao fazer isso, enfraquece a si própria e ao todo. Nega a sua missão de provocar a transformação de modelos e de estruturas injustas e excludentes. A vocação da Comunidade Cristã é ser sinal da cidade santa, a nova Jerusalém (Ap 21.2), lá onde ela se encontra. Por si só, não produz transformação. Precisa acolher a ação do Espírito Santo. Buscar oportunidades em vez de fixar os olhos nas carências é o fundamento da mudança, inclusive para as Comunidades rurais. Também a elas Deus desinstala e dirige o seu desafio à reforma.

Pelo Batismo, somos declarados filhos e declaradas filhas de Deus, cidadãos comprometidos e cidadãs comprometidas, entre outros, a procurar a paz da cidade, paz que produz comunhão verdadeira, que promove inclusão por meio do respeito às diferenças, que impulsiona ações diaconais conjugadas com os esforços de outros setores da sociedade, que produz reformas em favor da vida digna para todas as gentes.

As cidades são formadas por pessoas de Deus, que têm sede de sentido e de comunhão com Ele e entre si. O Deus que as pessoas buscam para a comunhão e a salvação na Comunidade Cristã também está no meio urbano. Devemos orar pela paz da cidade e procurar por ela. Precisamos nos dispor para a Missão de Deus em favor da paz, assim como o fez Jeremias junto aos filhos e às filhas de Deus no desterro da Babilônia.

Caderno de Estudos Bíblicos (Lema que acompanhou o Tema da Igreja em 2014) 

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