Jornal Evangélico Luterano

Ano 2020 | número 841

Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021

Porto Alegre / RS - 05:04

Plano de Ação Missionária da IECLB

O legado da justificação por graça e fé

O contexto de pandemia pelo Covid-19 nos desafia. Muito se tem falado sobre medidas que diminuem os riscos do contágio. O isolamento social é, até o momento, o único método eficaz na prevenção, o que é fundamental, uma vez que ainda não há remédio que cure nem vacina que imunize. Prevenir é sempre melhor que remediar. Prevenir é cuidar!

O cuidado é uma atitude, um valor sobre o qual precisamos aprender mais e mais. Ele é bíblico, pois, para Deus, toda a pessoa é sagrada a partir da sua natureza e não da sua funcionalidade. Cada pessoa é, assim, a imagem do próprio Criador. Disso advém a dignidade inalienável de cada ser humano: cada vida é valiosa.

O agir cuidadoso e responsável é fundamental no atual contexto. A Teologia e a Igreja Cristã têm muito a oferecer neste aspecto. Então perguntamos: Como a Igreja Cristã pode contribuir no desenvolvimento de uma cultura do cuidado? A Igreja, a partir dos valores evangélicos, reforça a importância das leis de proteção, muitas das quais se encontram na Bíblia. A Teologia também nos lembra que a marca da pessoa verdadeiramente discípula de Cristo é a vida responsável. Trata-se de uma atitude baseada na ética cristã, que é sempre a ética do cuidado, tanto de si quanto das outras pessoas e de toda a Criação.

O agir responsável não busca se referir a uma ‘obediência cega’, mas a uma ação livre e responsável, fundamentada na compreensão da vontade de Deus. Significa viver a partir da graça e do amor de Deus na nossa vida e na nossa sociedade. É assim que nos tornamos livres para amar a Deus, ao próximo e a nós mesmos. Significa um servir que é capaz de discernir, no nosso cotidiano, a vontade de Deus em situações concretas.

No caso do novo Coronavírus, trata-se de prevenir o contágio. No seguimento fiel a Cristo, a Igreja deixa de se preocupar com ela mesma e assume ser presença serviçal entre as pessoas. Ela participa das dores e dos sofrimentos do mundo. Ela é presença diaconal, assim como Jesus Cristo o foi na sua época.

Isolamento social não significa viver egoisticamente, em reclusão, indiferente às dores das demais pessoas e do que ocorre na localidade onde mora. Muito pode ser feito, pois o amor não tem fronteiras. Cada Comunidade Cristã precisa estruturar a sua diaconia, a sua presença serviçal, com as suas forças e possibilidades. Não há padrão, norma ou exigência. Há, isso sim, uma grande possibilidade para expressar a fé por meio do amor.

Pa. Dra. Rosane Pletsch | Ministra na Paróquia em Maringá/PR

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