Jornal Evangélico Luterano

Ano 2014 | número 773

Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

Porto Alegre / RS - 22:14

Unidade

Lutero - Reforma: 500 anos

   Convidamos o leitor e a leitora a imaginar uma bonita e marcante reunião familiar. Pode ser a de um aniversário. Pode ser a do Natal. Nessas ocasiões, a refeição é um momento marcante. Com maior ou menor variedade de alimentos, o encontro à mesa sempre é especial, ainda mais quando é reencontro. Contam-se histórias. A vovó faz um agrado especial! A risada fica leve e solta. Cria-se um ambiente de comunhão que nutre a vida por muito tempo, mesmo que a fome por comida retome na manhã seguinte.

   A Ceia do Senhor não é uma comunhão de mesa comum, mas ela tem características de uma refeição familiar. É preciso saber disso e é recomendável valorizar isso. É o que vamos abordar neste texto.

   Segundo o Evangelho de Marcos 14, naquele entardecer antes da Páscoa, Jesus reuniu-se com os discípulos à mesa e comiam (v. 18). Jesus e os discípulos estavam jantando. Nesse jantar, houve tempo para orar, agradecer (v. 23) e cantar (v. 26), mas não foi uma refeição como as anteriores. Essa refeição foi única, a primeira. Enquanto comiam, tomou Jesus um pão e... um cálice (v. 22-23). Nessa refeição, Jesus instituiu a Ceia do Senhor. O pão é meu corpo. Neste cálice, vocês recebem teses sangue — disse ele. É o ente sacrifício por vocês. Por vocês! Foi uma refeição, mas foi uma refeição com um acontecimento inusitado. 

   Então, a Ceia do Senhor que nós hoje celebramos em memória de Jesus não foi uma refeição como as anteriores e não é uma refeição como são as nossas refeições familiar.. Mesmo iniciando como tantas outras refeições, foi única, a primeira. Por quê? Porque ali foi celebrado o benefício de Deus na cruz por nós. É o benefício que pode ser assim definido: a Ceia do Senhor reafirma o perdão dos nossos pecados, que leva à reconciliação, que recria comunhão, que impulsiona para, livremente, empenhar-sena busca pela paz da cidade.

   Mesmo tendo sido uma refeição única, totalmente distinta das anteriores, a Ceia do Senhor celebrada hoje carrega características de uma refeição comum. Ela não é uma refeição familiar festiva ou cotidiana, mas apre-senta características de uma comunhão de mesa familiar. Quais são as consequências disso para a celebração da Ceia do Senhor? 

   Uma refeição requer preparo. Quantas pessoas irão se reunir? Qual é a quantidade de alimentos necessária? O que será bebido? A bebida será servida em copos ou em taças? Será levada em conta a situação de algum convidado que tenha restrição alimentar? Quem vai servir à mesa? Qual será o espaço disponível? Permitirá que as pessoas circulem ou terão que ficar sentadas? Será possível aos convivas lavarem as suas mãos? Quem vai lavar e guardar a louça? Se houver sobra de comida, que destino terá? No fim da festa, quem vai limpar a sala? Sim, essas perguntas, com mais ou menos peso, também precisam ser aplicadas à Ceia do Senhor.

A Ceia do Senhor é comunhão para a convivência em Cristo. Para favorecer essa dimensão, é preciso perguntar: ao celebrar a Ceia na nossa Comunidade, como é o espaço fisico? Há uma mesa no altar? Ao comungarem, as pessoas poderão rodear essa mesa? Essa mesa tem 'cara' de mesa de refeição ou é depósito de objetos diversos ou é um altar contra a parede? As pessoas coar dificuldade de locomoção conseguem se aproximar desse lugar? 

   Por ser mesa de comunhão, a exemplo da nossa mesa em casa, a prioridade é que sobre ela sejam colocados os elementos para a Ceia, pão e vinho/suco, o(s) cálice(s), os guardanapos, a vela, um buquê de flores de tamanho adequado e o livro litúrgico de apoio. Ali cabem os elementos para essa refeição.

   Na hora de comungar, as pessoas poderão rodear essa mesa? Será possível que se deem as mãos? Se não for possível colocar-se ao redor da mesa, haverá reflexão sobre formas mais marcantes de visualizar a comunhão na mesa do Senhor?

   Na IECLB, não há restrições quanto ao uso de pão ou hóstia, vinho ou suco de uva. Há questionamentos em relação ao uso de um ou outro, sim, mas não é essa a discussão neste artigo. Aqui, queremos chamar a atenção para a necessidade do cuidado com os elementos e toda a refeição.

    O conveniente é que vinho ou suco sejam de boa qualidade. Se for pão em lugar da hóstia, precisa ser pão que não esfarela. Há quem diga que pão com glúten, mesmo sendo o pequeno pedaço usado na Ceia, é prejudicial para quem tem restrição alimentar. Há quem afirme categoricamente que o primeiro gole de vinho pode levar uma pessoa abstinente do álcool a reincidir. Vamos brigar acerca disso, radicalizando para um lado ou outro, ou, que tal, fazer parte da roda, ouvir ponderações de especialistas, avaliar, dar voz às pessoas diretamente envolvidas e decidir por um critério que evite exageros e se fundamente no amor cristão?

   Independente de ser suco ou vinho, este precisa estar em uma jarra bonita, discreta, adequada. É importante evitar caixinhas e litros sobre a mesa. A mesa da Eucaristia não é lugar para propaganda! O cálice deve (sim, deve!) receber destaque. Os alimentos ficam cobertos com toalhas adequadas antes da refeição! Em todos os casos, o que for utilizado para a Ceia deve estar sobre a mesa na hora da instituição da Ceia e não ser buscado posteriormente de alguma sala secundária.

   Sabemos que há questionamentos em relação ao uso do cálice comum e dá o que pensar mesmo! Afinal, a Ceia foi instituída quando 13 pessoas estiveram reunidas. Fazer uso de um cálice quando são 50, 100 ou mais pessoas que comungam requer cuidado. Porém, evitem-se as formas simplistas para abolir ou legalistas para impor. Há muitos jeitos de zelar pela saúde sem prejudicar o significado simbólico. A pergunta que sempre precisa ser feita é: qual seria a melhor forma de substituir o uso de um cálice, ruas mantendo o significado da comunhão, do beber da mesma fonte? A revista Tear (agosto de 2000) há muito tempo apresentou como alternativa o cálice-jarra (foto). Trata-se de um cálice 'grande, de cerâmica, provido de um biquinho como qualquer jarra. Tendo a forma de cálice, conserva a força simbólica: em Cristo, somos um'. No momento da comunhão, cada pessoa recebe um pequeno copo. Nesse copo, derrama-se do cálice-jarra o gole consagrado do fruto da videira. Com isso, o simbolismo do cálice permanece e o cuidado com a saúde está preservado. 

 

Segundo o Evangelho de Marcos 14, naquele entardecer antes da Páscoa, Jesus reuniu-se com os discípulos à mesa e comiam (v.18). Jesus e os discípulos estavam jantando. Nesse jantar, houve tempo para orar, agradecer (v.23) e cantar (v.26), mas não foi uma refeição como as anteriores. Essa refeição foi única, a primeira. Enquanto comiam, tomou Jesus um pão e... um cálice (v.22-23). Nessa refeição, Jesus instituiu a Ceia do Senhor. O pão é meu corpo. Neste cálice, vocês recebem o meu sangue - disse ele. É o meu sacrifício por vocês. Por voas!

   Como em uma refeição familiar, a Ceia do Senhor também requer cuidados em relação à quantidade de pão e vinho ou suco. Por que colocar sobre a mesa da comutzhão 200 hóstias ou um enorme pão de forno se 40 pessoas irão comungar? Por que derramar na jarra dois litros de suco se apenas a metade será sentida? Como fazer? Importa ter uma equipe que prepare os elementos para a Ceia, depois que se souber o número de pessoas que irão comungar. Neste caso, fica bem evidenciada uma característica de refeição na Ceia do Senhor. Normalmente, é a pessoa ordenada pela Igreja que preside a Ceia, mas mais pessoas — uma equipe — podem (e precisam!) apoiar, preparando, servindo, recolhendo e guardan-do. As tarefas dessa equipe serão equivalentes às de uma refeição normal. Por exemplo, no caso de se usar um pão de forma para a consagração, membros dessa equipe podem repartir o pão ali na mesa da comunhão. Na Ceia, repartimos, comungamos.

   Com isso, já estamos falando sobre o preparo da mesa da Santa Ceia. Esse preparo da mesa pode ser mais abrangente. Para dar destaque à dimensão de comunhão, comunhão com Deus e entre irmãos e irmãs, a própria mesa da comunhão pode ser preparada durante o culto, no momento adequado. Fique dano que isso não tem uma importán' cia por si só. A Ceia do Senhor, naquilo que ela concede e significa, não depende disso. Importa distinguir entre o essencial e o que pode contribuir para dar destaque àquela essência, mas o preparo pode contribuir para o entendimento da própria Ceia.

   Refeição requer higiene, por isso é preciso zelar, antes da Ceia, para que os utensílios para a sua realização estejam limpos. A limpeza precisa ser percebida com clareza! É necessário que as mãos que irão tocar o pão sejam lavadas. Sobre a importár' Icia disso cabe falar com franqueza e prover as condições, sem rodeios e temores. Guardanapos de pano precisam estar disponíveis. Se forem utilizados 'cálices descartáveis', que não se disponha para isso uma lixeira simplesmente. Há muitas formas para, com discrição, cuidado e zelo recolher e guardar. Migalhas e alguma porção do líquido podem cair sobre a mesa ou até mesmo no chão. Nesses casos, como no nosso lar, cabe recolher e, devidamente, guardar. Na casa da gente, ninguém fica caminhando sobre migalhas!

   Concluída a Ceia, há ainda dois momentos que requerem cuidado, como se faz em uma refeição familiar. O primeiro momento é o imediatamente após a comunhão. É recomendável que tudo que tiver sido usado para a Ceia seja reunido sobre a mesa e coberto com uma toalha apropriada. Que fique dignamente coberto!

   O segundo momento é ao final do culto, preferencialmente depois que a Comunidade tiver sido despedida à porta. Chegou a hora de recolher o que está sobre a me., lavar e acondicionar os utensílios usados. Muito importante é que as sobras de alimentos sejam tratadas dignamente. Nesse momento, pão e suco são simples pão e suco. Isso precisa ficar daro. Nem por isso cabe jogar as sobras em qualquer lugar e de qualquer jeito, como se fossem lixo. As sobras serão tanto menores quanto maior for o planejamento antes da Ceia. Mesmo assim, haverá migalhas, pedaços, mais ou menos vinho. Dialogue-se sobre isso. Reflita-se e, em conjunto, sejam incumbidas as pessoas que cuidarão dessas sobras a partir de critérios preestabelecidos.

   Esses cuidados de refeição na Ceia do Senhor nos ajudarão, e muito, a sair da me. da comunhão para o cotidiano, entoando:

Em gratidão nós partimos daqui, desta tua mesa, cantando louvor: Ai

Tu nos permites que mais uma vez sigamos para viv te amor (HPD 141.6).

 

 

P. Dr. Romeu Ruben Martini, Doutor em Teologia pelo Instituto Ecumênico de Pós-Graduação, em São Leopoldo/RS, com a tese intitulado 'Eucaristia e conflitos litos comunitários' (Editora Sittodal), é Assessor Teológico da Presidência da IECLB 

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