Tanzânia: A jornada de uma pastora com sua comunidade indígena

Vozes da Comunhão Luterana: Pastora Rebecca Maduley Kurubai, primeira pastora do povo Maasai

17/09/2021


(LWI) – “Meu testemunho tem atraído muitas pessoas a Cristo”, diz a Pastora Rebecca Maduley Kurubai, a primeira mulher do povo Maasai a ser ordenada pastora na Igreja Evangélica Luterana na Tanzânia (ELCT, por sua sigla em Inglês) da Diocese Sul. Os Maasai habitam principalmente o norte da Tanzânia e o vizinho Quênia, e muitos dos que residem em áreas rurais vivem um estilo de vida tradicional seminômade numa sociedade em rápida mudança.
Após sua ordenação, a Pa. Kurubai foi trabalhar na cidade de Iringa, no centro da Tanzânia. Ela agora está baseada no Seminário Luterano de Kidugala, na região sul de Njombe, onde está fazendo pesquisa de doutorado. Ao longo de seu ministério, ela se dedicou a compartilhar o evangelho entre sua comunidade indígena Maasai, onde, ela diz, as pessoas “têm fome da Palavra de Deus”.


Conte-nos sobre os primeiros anos de seu ministério?

Terminei meus estudos em 1999 e após minha ordenação no mesmo ano, fui enviada para uma paróquia muito nova em Iringa. Eu não tinha nada para começar, nenhum escritório, nenhum lugar para trabalhar e apenas algumas dezenas de pessoas para me ajudar a iniciar uma nova congregação. Começamos construindo uma nova igreja e muitas pessoas vieram assistir os cultos e reuniões, e faziam perguntas sobre como eu, uma mulher Maasai, tive permissão para me tornar uma pastora, porque eles sabem que o povo Maasai vive uma vida diferente.

Muitas pessoas vinham para participar dos cultos e ouvir o evangelho e, já naquele primeiro ano, a congregação cresceu de menos de 40 pessoas para cerca de 1.000 membros. Começamos a trabalhar com eles, ajudando a organizar não apenas as coisas práticas do cotidiano, mas também respondendo às necessidades espirituais. Organizamos reuniões de orações com os presbíteros e fomos de casa em casa, visitando aqueles que eram cristãos, talvez por muito tempo, mas que já não iam mais à igreja. Assim como Jesus enviou os 70 discípulos, nós fomos, dois a dois, batendo nas portas para compartilhar o evangelho com as pessoas.

Quais são os principais desafios que você encontrou?

Entre os Maasai, as famílias das áreas rurais vivem em cabanas simples (maniatas), como nos tempos do Antigo Testamento, pastoreando gado, ovelhas e cabras. Os homens cuidam de seus rebanhos e, tradicionalmente, precisavam de várias esposas e muitos filhos para ajudá-los. Mas hoje em dia esse modo de vida não pode ser sustentado, pois o número de cabeças de gado está diminuindo e essas famílias não conseguem educar ou sustentar seus filhos, que ficam confinados à pobreza.

A igreja está tentando alcançar e falar com as pessoas, para ensinar o evangelho e ajudá-las a compreender a necessidade de mudança. Fui convidada para uma reunião no ano passado com cerca de 200 homens para explicar e responder às suas perguntas. Normalmente as mulheres não têm permissão para comparecer a essas reuniões, mas eles respeitam as opiniões daquelas pessoas que estão na liderança e, portanto, tenho possibilidade de influenciá-los. Tenho constatado como o meu próprio testemunho tem atraído muitas pessoas a Cristo.

Hoje as pessoas são mais capazes de entender nossa mensagem e estão mais prontas para aceitar a mim e minhas colegas pastoras. - Pa. Rebecca Maduley Kurubai, Igreja Evangélica Luterana na Tanzânia

Quando Deus me chamou para este ministério, as coisas eram muito difíceis. Mas a Bíblia nos diz para termos confiança e que somos fortalecidos pelo poder do Espírito Santo. Hoje as pessoas são mais capazes de entender nossa mensagem e estão mais prontas para aceitar a mim e minhas colegas pastoras. Sempre toma bastante tempo sentar-se com as pessoas, comer com elas e ouvi-las.

Como pessoas luteranas em outras partes do mundo podem apoiar este ministério?

As pessoas em nossas comunidades estão famintas pela Palavra de Deus. Muitas pessoas oram e intercedem por este trabalho e nós somos muito gratas e gratos por isso.

Muitas mulheres Maasai agora têm seus próprios grupos de oração e podem se reunir com mais liberdade. Elas costumavam ser intimidadas porque as pessoas não as entendiam e temiam que que as pastoras viessem para mudar nossa cultura e identidade.

No passado também fui presidenta de um fórum de pastoras e pastores que reúne metodistas, pentecostais e líderes de outras denominações para orar por mudanças e por reconciliação. Em Arusha, onde os Maasai são predominantes, existe uma unidade visível entre as pessoas deste povo. Eles se reúnem para ouvir a palavra de Deus. Espero, e me pergunto, se posso trazer essa mudança também para minha comunidade?

FLM/P. Hitchen
 

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