Campanha Em comunhão com as viDas das mulheres


História de vida de Nilve Kohlrausch

04/04/2018

 

Nome: Nilve Kohlrausch

Participação na IECLB: desde o Batismo

Comunidade: Bom Pastor – Paróquia Ferrabraz, Sapiranga/RS.

Sínodo: Rio dos Sinos
 

Sou Nilve Kohlrausch, moro em Sapiranga/RS, bairro Voo Livre. Tenho 67 anos, sou membro da comunidade Bom Pastor no bairro Amaral Ribeiro, Paróquia Ferrabraz. Venho nessas linhas, descrever a minha vida na IECLB. Iniciei minha caminhada na OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas) em 1988, na Comunidade Redentor, em Sapiranga/RS. Na época, existia somente esse grupo de OASE na cidade. Atualmente, existem seis grupos de OASE. Participo do grupo mais novo, desde a sua fundação, há 13 anos.

O que me fez procurar a OASE? Em primeiro lugar, por ser um grupo de senhoras evangélicas com as quais eu me identificava e por ser um trabalho que eu admirava desde jovem. Em segundo lugar, porque eu estava necessitada de algo que, para além do meu trabalho, fosse capaz de preencher o meu dia a dia.

Eu necessitava me abastecer, ouvir, aprender, estudar, dar e receber atenção, afeto, carinho e principalmente a palavra de Deus. Procurei! Certo dia, quando eu estava no culto, a presidenta da OASE fez um convite para conhecer o grupo. Eu me senti chamada à participar. Procurei o local onde aconteciam as reuniões e fui muito bem recebida e acolhida por mulheres que já estavam, há muitos anos, nesse trabalho na seara do Senhor.

Desde que entrei na OASE participo da diretoria. Gosto de tudo que se faz lá, dos eventos festivos e do trabalho de “formiguinhas” para arrecadar fundos e auxiliar onde for necessário – os destinos são combinados nas reuniões. O canto, a leitura, a interpretação de textos bíblicos e os estudos do Roteiro da OASE me fazem bem, assim como para todo o grupo. Sempre alguém se identifica com algo da leitura do dia tornando o debate mais gostoso.

Desde 1988, quando entrei na OASE, tenho ouvido mulheres afirmarem que, na OASE encontraram pessoas que as ouvem, entendem, choram e riem com elas. Abraços que antes não recebiam, no grupo são dados com carinho e dão força para a caminhada da vida.

Vale lembrar como foi o início da OASE Bom Pastor onde, atualmente, sou vice tesoureira. Havia na Comunidade Bom Pastor um grupo de mulheres que sonhava em ter uma OASE. Elas viam mulheres da OASE participando das atividades em outras comunidades. Elas, porém, diziam: temos a “carroça” mas não temos quem a puxe. Diziam que não tinham capacidade de formar uma diretoria, de participar dos encontros paroquiais, sinodais e de falar bonito na Igreja. Então, a Pastora sugeriu a elas que me procurassem e conversassem comigo a esse respeito. Na época, eu participava da OASE Redentor. Eu já tinha alguma experiência na caminhada com a OASE. Sentia-me feliz com as colegas e com o trabalho que fazíamos lá. Eu realmente não pensava em sair daquele grupo.

Hoje, continuo como membro da OASE Redentor, mas participo da diretoria do grupo Bom Pastor, no bairro Amaral Ribeiro, em Sapiranga. É um grupo urbano. A maioria das mulheres que participa nesse grupo trabalhava em fábricas de calçados. São mulheres que migraram com suas famílias da colônia para a cidade e hoje estão aposentadas. São mulheres cujos hábitos e costumes, herdados de suas mães e avós, permanecem presentes em suas vidas: ir à Igreja aos domingos, agradecer as dádivas recebidas, louvar a Deus, sociabilizar, rogar proteção, saúde e paz.

As reuniões da OASE ocorrem de uma forma singela e com muito companheirismo. Desde que foi fundada, a OASE da Comunidade Bom Pastor, tem destinado os lucros de suas programações – chás, pizzas e artesanato – para a construção do templo, que está em fase de conclusão. Os cultos ainda ocorrem no centro comunitário, que é espaçoso e oferece conforto. Gosto da OASE, da Igreja e da agenda de programações que acontecem durante o ano. Todas constam no calendário da comunidade.

A Comunidade Bom Pastor faz parte da Paróquia Ferrabraz. A Paróquia leva esse nome por estar localizada próxima ao Morro Ferrabraz (lugar onde ocorreu o conflito Muckers, século XIX, sob liderança de Jacobina Maurer. Localizado no bairro Amaral Ribeiro, o Morro Ferrabraz oferece uma paisagem encantadora que pode ser vista do núcleo da comunidade.

Meus antepassados vieram da Alemanha. Na bagagem, trouxeram sua religião Evangélica (Evangelisch). Fui batizada na Igreja Luterana de Novo Paraíso, município de Estrela/RS, igreja que meu avô materno (Frank) construiu com o auxílio de colonos da comunidade. Tive duas madrinhas e dois padrinhos Evangélicos. Eles e minha família foram exemplos de fé para mim. Participavam dos cultos confessando sua Fé, orando o Pai Nosso e louvando ao Senhor com hinos religiosos.

As mulheres da comunidade de Novo Paraíso eram participativas, estavam presentes com seus maridos e filhos nas programações anuais como cultos, festa da colheita e confirmações. Além disso, limpavam a Igreja e ornamentavam o altar com flores da época, colhidas nos seus jardins, que davam um ar de alegria e boas-vindas aos membros.

Os membros eram colonos e a maior parte morava longe da Igreja. Alguns vinham para os cultos, atalhando as lavouras com os pés descalços e os sapatos nas mãos, para não suja-los. Outros vinham a cavalo ou de charrete, que era o meu caso. Eu vinha sentada sobre um banco, coberto por um pelego, no meio dos pais com mais uns irmãozinhos. Em dias de culto, tinha também alguns carros, no pátio da igreja, modelos que atualmente são antiguidades. Um membro tinha um caminhão. Ele morava longe da Igreja. Chegava com a carroceria cheia de gente que pegava carona ao longo do caminho. Na Igreja, sempre tinha um balde com água e uma caneca ao lado, para matar a cede de quem chegava. Às vezes, as ofertas do culto eram destinadas para os necessitados da guerra do Vietnam. Como criança, me chamava muita à atenção. Eu ficava sensibilizada e pensava: mas essa guerra não termina nunca? A guerra durou dez anos.

Em Semanas de Missão, muitas famílias retornavam da roça mais cedo. Elas se reuniam para participar dos estudos com o Pastor Alcides Jucks. Ele fazia analogias da vida cotidiana com a Salvação, falava sobre como viver para alcançar o Reino de Deus, contava historias e cantava muito. As pessoas gostavam e levavam as mensagens para seus lares. Guardo, em especial, o tema de uma das noites: “Eis que Estou diante da porta e bato”.

Aos 11 anos iniciei no ensino confirmatório e aos 12 fui confirmada. Depois, participei da juventude até os 17 anos, quando saí de Estrela com destino à Casa Matriz de Diaconisas, em São Leopoldo RS. No tempo em que lá permaneci (oito meses), despertei interesse pelo trabalho de enfermagem. Com o auxílio das Diaconisas consegui um emprego em Taquara, no Hospital de Caridade, onde fui muito feliz. Trabalhei por 11 anos na enfermagem (época em que se trabalhava com experiências adquiridas através da prática) juntamente com Diaconisas que estavam na liderança deste Hospital. Neste período eu frequentava os cultos na Igreja de Taquara.

As mulheres frequentavam de igual modo com os homens nos programas da Igreja, nunca senti desigualdades. Sabe-se que nos últimos 30 anos houve mudanças em muitas áreas, também na Igreja. Hoje, os cultos de língua alemã, com seus cantos bonitos desapareceram; O hábito de separar as mulheres dos homens no culto deixou de existir, ou seja, as famílias sentam juntas; As mulheres estão mais presentes nas lideranças; Atualmente, na comunidade Bom Pastor e na Paróquia Ferrabraz a presidente é uma mulher.

Gosto muito do meu lema de confirmação: “Amarás teu Deus de todo teu coração, de toda alma e de toda tua mente ', esse é o primeiro e maior dos mandamentos e o segundo semelhante a esse é: “Amarás teu próximo como a ti mesmo..” (.......) Ao completar 50 anos de confirmação fui homenageada pela comunidade Novo Paraíso, juntamente com meus colegas de doutrina. Foi um momento inesquecível. 

Sou acadêmica em História, casada com um irmão de uma Diaconisa. Tenho duas filhas que estudaram na Escola Evangélica de Ivoti (EEI) e atualmente são professoras numa Escola da Rede Sinodal.


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